Resolvi criar este blog não com intuito de ter visibilidade, mas como uma forma de poder desabafar, escrevendo o que estou sentindo, isso me acalma e me tranquila durante as crises mais pesadas, digamos assim. Espero que se alguém ler consiga se identificar e se sentir melhor por saber que não é a única a se sentir assim também.
sábado, 1 de dezembro de 2018
Desde que me conheço por gente escuto que preciso procurar ajuda médica, mas nunca deu bola, aliás, “sou uma menina de atitude, falo o que me vier na cabeça, falo mesmo, faço o que tiver que fazer, ninguém tem a ver com a minha vida”. Isso era o que sempre dizia como justificativa do meu modo impulsivo de ser, tentando não demonstrar que estava extremamente arrependida por ter ofendido ou magoado alguém, sentia-me uma idiota, um monstro por ser assim e fazer sofrer todos aqueles quem amo, mas era algo que não estava sob o meu controle, a raiva subia a cabeça em segundos e quando vê já aconteceu.
Cresci com isso, ninguém nunca gostou de mim na minha família, eu sempre me senti excluída e sempre fui muito carente, mas, por outro lado, eu sempre fui uma menina extremamente justa, sempre tive muita empatia e muitas, muitas vezes mesmo tirei de mim para dar aos outros, mas ninguém nunca viu isso. A minha mãe nunca foi de ser aquelas mães amigas, sabe? Ela nunca reconheceu quando eu não estava bem e nunca me entendeu quando eu estava em crise.
Nunca consegui falar sobre o que eu sentia com alguém, medo de acharem bobagem, medo de ser julgada, de parecer infantil, mas eu sempre tive extremo necessidade disso. Guardar tudo aqui dentro como em um cofre a sete chaves é o que me mata. Quem me vê pensa que sou a pessoa mais forte do mundo, que não tenho problemas, que minha vida é perfeita, mas a verdade é que eu me sinto morta, sinto que não tenho alma, perdi-a no meio do caminho, eu não tenho mais sentimentos pelas pessoas, tudo que sinto é sofrimento e culpa por isso, sinto estar na vida errada, na família errada, no casamento errado. Olho ao meu redor e vejo que eu não tenho porque estar assim, tenho uma filha maravilhosa, saudável, esperta, um marido que eu não preciso fazer nada em casa, paciente e que me escuta quando resolvo “desabafar de leve”, meu pai esta se curando de câncer e eu só tenho a agradecer por tudo isso, tenho um bom emprego, uma casa para morar, não me falta comida na mesa, e eu sentindo-me assim. Porquê? Eu não tenho motivos.
Sou uma ingrata, isso sim!!
Quero só deitar na minha cama, chorar, ficar deitada, nunca mais sair dela, mas sinto-me culpada por isso, culpada por minha filha estar crescendo e eu não estar presente, aproveitando cada segundo disso tudo.
Eu só queria ser feliz de verdade por ao menos alguns minutos.
Na adolescência saía com muitos meninos, eu odiava o meu pai, nos batíamos e tudo que eu queria era não te-lo por perto, nas minhas orações pedia para ele separar de minha mãe. Que horror, hoje peço perdão a Deus por isso.
Cresci cuidando da casa e do meu irmão menor para meus pais trabalharem, eu até hoje não consigo dar-me bem com o meu irmão porque eu sempre senti muita inveja e raiva dele por eu ter sido obrigada a criar responsabilidade desde criança, limpar a casa e cuidar dele e ele sempre foi tratado com muito zelo, homem não limpa a casa, homem não precisa dizer onde vai, homem pode fazer o que quiser, ele não precisa me ajudar com as despesas de casa, dizem meus pais. Ele nunca precisou trabalhar para ter algo, não sabe oque é isso. Comecei a trabalhar com 12 anos porque eu me sentia na obrigação de sustentar-me, eu amava poder ter o que eu queria com o meu próprio dinheiro, sabia que meus pais não tinham condições e eu queria ajudar, eu dava metade do que recebia para ajudar em casa.
Casei-me com 18 anos, a minha família sempre idealizou que para ser feliz precisava se casar e ter filhos e cresci acreditando nisso, com 20 anos tive a minha filha, não tive quem me ajudasse, o primeiro ano dela foi o pior da minha vida. Na gravidez eu já avancei muito a doença de bipolaridade, eu não sabia que tinha.
Fiquei totalmente transtornada, chorava e brigava por tudo, eu gritava chorando e deixei de falar ate com minha mãe, porque ninguém me suportava,mas eu achava fielmente que eu era a vítima da história, que tinha sido abandona, que não tinha ninguém, o que de fato nunca tive, as minhas poucas amigas não me procuravam mais porque eu já não podia mais curtir a vida com elas,estava presa a vida de mulher e mãe, eu sentia-me sozinha, e foi assim até mesmo depois que ela nasceu.
Começou a agravar o estado de depressão.
Ajudei tantas pessoas, deixei de viver a minha vida para a viver a vida de outras, eu estive ali quando elas mais precisaram e naquele momento que eu mais precisava de alguém eu não tinha a quem recorrer, e isso foi o que me tirou completamente o chão. Com 1 ano da minha filha decidi que não dava mais para viver em casa, sendo sustentada por meu esposo, que só conseguia pagar as contas de casa e mau dava para a comida, não aguentava mais olhar para as paredes e cuidar de criança, de não ter um sutiã descente para vesti, o que estava acontecendo comigo? Sempre fui tão independente. Fui através de serviço e consegui em uma padaria depois de muitoo procurar, aceitei a vaga, trabalhei de domingo a domingo, chorava no início com saudades da minha pequena, me sentindo a pior mãe do mundo, e durante 1 ano fiquei nesse pesadelo, sem vida, vivendo só para o serviço e perdendo o crescimento e a fase mais fofa da minha pequena, ate começar a sentir algo que me parecia ser infarto, pensava que ia morrer por alguns minutos, coração acelerava, alguma coisa me sufocava a garganta, eu sentia que ia desmaiar, pensava que iria morrer ali, naquele banheiro feminino de uma padaria, fui ao médico e recebi o diagnóstico de ansiedade e depressão, fui encaminhada ao psiquiatra, ele tratou-me por ansiedade e depressão por 6 meses até eu decidir trocar de médico depois de não ter obtido resultado, eu sentia — me cada dia mais irritada, eu brigava no ônibus, pois, a pessoa a meu lado mexia na sacola e aquele barulho me irritava, a situação chegou ao extremo, tive que ter um ataque na casa de praia da mãe da minha comadre para ter a certeza que aquele tratamento não me fazia efeito.
Fiz o maior escândalo por não ir em bora a hora que eu queria e por estar preocupada com a dor de dente do meu esposo, eu estava de carona e minha comadre queria dormir um pouco antes de pegar o caminho de volta para casa e achei aquilo o cúmulo, por ela querer descansar para nos preservar a vida no trânsito, enquanto meu querido esposo estava bebendo cerveja e jogando bola com muita dor de dente (ele vinha se queixar a todo tempo e eu estava ficando nervosa com isso, mas aos outros ele dizia estar bem e agia naturalmente, me sai como louca da história), aí fiz um escândalo, nossa, nunca me senti tão envergonhada, como pude fazer isso? Com que cara iria olhar para eles depois? Que falta de respeito e consideração com os donos da casa, os quais tenho um carinho imenso, minha comadre é minha única amiga e eu amo a demais. Como pude? Foi aí que percebi que realmente algo não estava bem, fui atrás de outro psiquiatra… Continua…
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